Manaus (AM) – O brutal assassinato do professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), <b>Davi Said Aidar</b>, de 62 anos, ocorrido em 6 de fevereiro de 2026, chocou a comunidade acadêmica e a população amazonense. O que inicialmente parecia um crime de autoria incerta, desdobrou-se em uma complexa trama revelada pela Polícia Civil do Amazonas: a motivação seria uma acirrada disputa comercial por clientes de bar, e a principal suspeita de ser a mandante do crime é a própria vizinha da vítima, <b>Juliana da Rocha Pacheco</b>, atualmente foragida. As investigações aprofundadas apontam que a queda no movimento do bar da suspeita, após o professor iniciar atividades semelhantes na mesma região, foi o estopim para a orquestração do homicídio que ceifou a vida do acadêmico.
A Dinâmica da Disputa: Concorrência Fatal no Ramal Água Branca
A morte violenta do professor <b>Davi Said Aidar</b>, uma figura conhecida e respeitada em seu meio, gerou grande repercussão e levantou questões sobre a escalada da violência em contextos cotidianos. Segundo as investigações minuciosas da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a tragédia teve como cenário o ramal Água Branca, situado na Rodovia AM-010. Esta área, caracterizada por pequenos comércios locais, como bares e restaurantes, frequentemente serve como ponto de encontro e fonte de subsistência para moradores, onde a competição por clientes pode, por vezes, se tornar acirrada.
Neste contexto, <b>Juliana da Rocha Pacheco</b> mantinha um estabelecimento comercial, e a chegada do professor à região, com a subsequente abertura de um empreendimento similar, deflagrou uma série de tensões. Relatos e provas colhidas pela polícia indicam que <b>Juliana</b> passou a registrar uma significativa queda no faturamento e no fluxo de clientes em seu bar, atribuindo o declínio diretamente às atividades comerciais de <b>Davi Said Aidar</b>. Essa percepção de prejuízo teria alimentado um ressentimento crescente, culminando em repetidos desentendimentos e ameaças diretas da suspeita contra o professor, transformando uma disputa comercial em uma questão de vida ou morte.
Operação Universitates: A Resposta da Polícia Civil
A gravidade do crime e o perfil da vítima mobilizaram intensamente a força policial, resultando na deflagração da <b>Operação Universitates</b>. Durante coletiva de imprensa realizada pela Polícia Civil do Amazonas nesta quinta-feira (5), foram apresentados os resultados das investigações, que culminaram na prisão de quatro indivíduos envolvidos na execução do professor. O delegado <b>Ricardo Cunha</b>, responsável pelo caso, detalhou que a apuração revelou a premeditação e a articulação criminosa, desvendando o papel central de <b>Juliana da Rocha Pacheco</b> como a mandante do brutal assassinato.
Ainda segundo o delegado, a intenção de <b>Juliana</b> era inequívoca e fatal. Em um determinado momento crucial da trama, a suspeita teria procurado seu sobrinho, <b>Lucas Santos de Freitas</b>, conhecido como 'Lucão' ou 'Magrão', com a ordem expressa para que ele matasse o professor. Quando questionada por <b>Lucas</b> se a intenção era apenas 'dar um susto' no concorrente, ela teria reforçado com veemência que desejava a morte da vítima, confirmando o dolo direto e a frieza na decisão de eliminar <b>Davi Said Aidar</b>. A mandante, contudo, permanece em local incerto, sendo ativamente procurada pelas autoridades para que responda perante a Justiça.
O Recrutamento e a Teia de Dívidas
O papel de <b>Lucas Santos de Freitas</b> foi crucial para a concretização do plano homicida. Apontado como o 'mentor intelectual' da execução, <b>Lucas</b> foi o responsável por organizar toda a logística do crime e recrutar os comparsas que realizariam o homicídio. A investigação revelou uma complexa rede de dependência e coerção, na qual <b>Lucas</b>, que também atuava como agiota, explorou dívidas que outros indivíduos tinham com ele para garantir sua participação no crime, expondo a vulnerabilidade econômica como um fator determinante para o envolvimento em atos criminosos de tamanha gravidade.
Os Executores e Suas Motivações
Entre os indivíduos recrutados, <b>Antônio Carlos Pinheiro Meireles</b>, de 41 anos, conhecido como 'TK', foi apontado como o executor dos disparos. Sua participação no assassinato teria sido motivada por uma dívida relativamente pequena, de cerca de R$ 150, que ele tinha com <b>Lucas</b>. A escolha de <b>Antônio Carlos</b> não foi aleatória, pois a polícia descobriu que ele já possuía antecedentes criminais graves, incluindo uma condenação anterior por homicídio, pelo qual cumpriu aproximadamente 16 anos de prisão. Esse histórico sublinha sua periculosidade e a premeditação na seleção do atirador pela mandante e seu sobrinho.
<b>Rafael Fernando de Paula Bahia</b>, de 28 anos, foi o encarregado de conduzir a motocicleta utilizada na ação criminosa. Sua adesão ao plano macabro foi impulsionada por uma dívida bem mais expressiva, de cerca de R$ 10 mil, referente a um acidente envolvendo um carro emprestado por <b>Lucas</b>. Para 'ajudar a abater o valor' dessa dívida, <b>Rafael</b> concordou em participar da execução por um pagamento de R$ 1 mil, uma quantia que, embora significativa, ainda representava uma fração de seu débito total, evidenciando um cenário de desespero financeiro que o levou a aceitar tal proposta.
O último envolvido preso, <b>Emerson Sevalho de Souza</b>, de 26 anos, ofereceu apoio logístico à empreitada criminosa. Ele também possuía uma dívida com <b>Lucas</b>, um montante de aproximadamente R$ 200. Para sua colaboração, foi-lhe prometido o valor de R$ 100, mas a investigação revelou que ele teria recebido apenas R$ 50. Essa quantia irrisória, dada a gravidade do ato praticado, demonstra a hierarquia exploratória dentro do esquema criminoso e o baixo valor atribuído à vida da vítima por parte dos executores e intermediários, ressaltando a frieza dos envolvidos.
Cronologia da Execução: Um Crime Premeditado
O assassinato do professor <b>Davi Said Aidar</b> ocorreu na noite de 6 de fevereiro de 2026, no próprio bar mantido pela vítima no ramal Água Branca. A minuciosa investigação da DEHS reconstruiu os momentos que antecederam e sucederam o crime, revelando uma série de ações cuidadosamente planejadas para garantir o sucesso da empreitada homicida. O nível de detalhes colhidos pela polícia ressalta a frieza e a determinação dos envolvidos em concretizar o plano macabro.
Três dias antes do crime, em 3 de fevereiro, <b>Lucas Santos de Freitas</b> e <b>Antônio Carlos Pinheiro Meireles</b> foram vistos no ramal, realizando uma espécie de 'levantamento' da rotina do professor. Esse reconhecimento prévio do local e dos hábitos da vítima foi fundamental para a elaboração do plano de execução. No dia do homicídio, a polícia aponta que <b>Juliana da Rocha Pacheco</b> entregou a <b>Lucas</b> uma bolsa contendo a arma de fogo a ser utilizada no crime, enrolada em uma camisa, o que reforça sua participação ativa e direta na provisão dos meios para o assassinato e a natureza premeditada da ação.
Na fatídica noite, três homens chegaram ao bar em uma motocicleta. Dois deles desceram do veículo e, sem hesitação, <b>Antônio Carlos</b>, o executor, efetuou 14 disparos de arma de fogo contra o professor. A violência da ação foi extrema e devastadora; sete tiros atingiram a vítima, que não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. A quantidade de disparos e a precisão letal evidenciam a intenção clara de matar, confirmando a natureza qualificada do homicídio e a brutalidade empregada.
As Prisões e o Enquadramento Legal
A resposta policial à execução foi rápida e articulada, culminando na prisão dos envolvidos. <b>Lucas Santos de Freitas</b> foi o primeiro a ser detido, no dia 25 de fevereiro, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus. Posteriormente, em 3 de março, as autoridades prenderam <b>Antônio Carlos Pinheiro Meireles</b> no bairro Novo Aleixo, e <b>Rafael Fernando de Paula Bahia</b> no bairro Colônia Terra Nova. Por fim, <b>Emerson Sevalho de Souza</b> foi capturado em 4 de março, também na Colônia Terra Nova, completando a desarticulação da quadrilha e demonstrando a eficácia da inteligência policial.
Todos os investigados presos foram indiciados por homicídio qualificado e associação criminosa, permanecendo à disposição da Justiça. O homicídio qualificado implica agravantes como motivo fútil (a disputa comercial), o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e a premeditação do crime, o que pode resultar em penas mais severas. A condenação anterior de <b>Antônio Carlos</b> por homicídio é um fator adicional que poderá pesar em seu julgamento. Enquanto os envolvidos aguardam o desenrolar do processo legal, a principal suspeita de ser a mandante do crime, <b>Juliana da Rocha Pacheco</b>, segue sendo ativamente procurada pela polícia, com o objetivo de que todos os responsáveis sejam devidamente responsabilizados perante a lei.
Repercussões e o Legado de Davi Aidar
A morte do professor <b>Davi Said Aidar</b> é um trágico lembrete de como desavenças banais, quando não mediadas ou controladas, podem escalar para atos de violência extrema, deixando cicatrizes profundas na sociedade. Sua perda deixa uma lacuna irreparável na Universidade Federal do Amazonas e em toda a comunidade acadêmica, que perde um de seus intelectuais para a brutalidade de uma disputa comercial. O caso ilumina as complexas camadas da criminalidade, onde a ambição desmedida de uma pessoa se alia à vulnerabilidade econômica de outras, culminando em uma perda irreversível e dolorosa.
A atuação célere e eficaz da Polícia Civil na rápida identificação e prisão dos envolvidos demonstra o compromisso das autoridades em combater o crime e garantir que a justiça seja feita. Contudo, o caso só será completamente encerrado com a captura de <b>Juliana da Rocha Pacheco</b>, a suposta mentora intelectual do crime, que permanece foragida. A comunidade, em especial a acadêmica e os familiares, espera que a justiça prevaleça e que o legado do professor <b>Davi Said Aidar</b> seja honrado pela resolução completa e exemplar deste crime hediondo, trazendo um mínimo de consolo diante de tamanha barbárie.
Este caso chocante e seus desdobramentos continuam a ser acompanhados de perto e com rigor pelo <b>Amazonas Diário</b>. Para se manter informado sobre este e outros importantes acontecimentos que impactam a região, convidamos você, leitor, a continuar navegando em nosso portal. Acesse nossas seções de notícias, investigações aprofundadas, análises exclusivas e reportagens especiais, e faça do Amazonas Diário sua fonte confiável e indispensável de informação e jornalismo de qualidade.